terça-feira, 23 de novembro de 2010

Descoberta - Serpentes voadoras encontradas na Ásia

Cobra Chrysopelea paradisi. Foto: DivulgaçãoWASHINGTON - Cinco espécies de serpentes voadoras foram encontradas nas regiões Sudeste e no Sul da Ásia. Para entender este feito, o biólogo da universidade Virginia Tech, Jake Socha, e um grupo de pesquisadores estudaram recentemente cobras Chrysopelea paradisi e como elas se lançaram de um galho no alto de uma torre de 15 metros de altura.
Câmeras gravaram a cobra se lançando de um galho.Foto: DivulgaçãoQuatro câmeras gravaram as cobras, o que permitiu criar e analisar as reconstruções 3-D do do corpo dos répteis durante o vôo. As análises revelaram que, apesar de viajarem até 24 metros da plataforma de lançamento, as serpentes não conseguiram um "estado de equilíbrio de deslizamento". Em vez de cair no chão, a cobra é empurrada para cima, mesmo que esteja se movendo para baixo porque o componente ascendente da força aerodinâmica é maior que seu peso, mas no fim acaba no chão.
- Hipoteticamente significa que se a serpente continuasse assim, acabaria por se mover para cima no ar, um feito bastante impressionante para uma cobra. Mas nosso modelo sugere que o efeito é apenas temporário já que a cobra bate no chão para terminar o deslize - diz o pesquisador.

Publicada em 23/11/2010 às 11h46m

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AIDS - Nova droga reduz em 43,8% o risco de contaminação pelo HIV

RIO - Resultados dos primeiros testes internacionais de eficiência de uma nova forma prevenção da contaminação pelo HIV, vírus que provoca a Aids, mostram que ele foi capaz de diminuir em 43,8% as infecções entre homens que tomaram uma dose diária do antirretroviral quando comparados com um grupo ao qual foi administrado um placebo.

- Essa descoberta muda para sempre o cenário da prevenção do HIV - diz Jim Pickett, diretor da Fundação Aids de Chicago. - Embora este nível de eficiência seja relativamente forte, o método ainda não está pronto para o horário nobre e ainda temos trabalho antes que esta estratégia seja implementada. Mas estamos felizes por termos uma nova opção de prevenção além das camisinhas masculina e feminina no horizonte.

Os testes avaliaram a segurança e eficácia da droga antirretroviral TDF/FTC, batizada Truvada quando tomada uma vez por dia como prevenção contra o HIV por homens gays, mulheres transgênero e outros homens que têm relações homossexuais não contaminados. Os participantes, 2499 no total, moram no Peru, Equador, Brasil, África do Sul, Tailândia e EUA. Metade foi escolhida aleatoriamente para receber o Truvada, enquanto a outra metade recebeu um placebo. Eles e os pesquisadores não sabiam quem estava recebendo o remédio e quais faziam parte do grupo de controle.

A análise primária dos resultados, divulgada na edição online do "New England Journal of Medicine", foi feita após uma média de 14 meses depois do início do tratamento. Cada paciente foi testado mensalmente para o HIV e era regularmente examinado para outras doenças sexualmente transmissíveis, além de receberem camisinhas e aconselhamento psicológico, em um robusto pacote de prevenção. Ao final dos testes, foram verificadas 36 infecções entre os que receberam o Truvada, contra 64 entre os que receberam o placebo. Os pesquisadores calculam que o medicamento reduziu os riscos de contaminação em 43,8%. Embora alguns efeitos colaterais tenham sido reportados pelos que tomaram o Truvada, mais testes serão necessários para verificar sua segurança a longo prazo.
Publicada em 23/11/2010 às 11h12m

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Baratas! Quase Invencíves?

Mitos, histórias e a importância das baratas são tema de projeto da UFRJ

Por: Renato Grandelle
" Existe um confronto urbano entre o homem e a barata"

Estudo quer acabar com mitos sobre a barata. Foto: Divulgação
Assista ao vídeo sobre as baratas
RIO - Ela é uma das maiores vilãs do mundo animal. Transmite doenças, adapta-se a qualquer ambiente, e, como se não bastasse, é feia. Poucos discordariam de aplicar este julgamento à barata. Mas há quem se esforce para mudar a imagem do inseto. Um grupo do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) prepara uma série de minidocumentários para provar que a cucaracha é importante na cadeia alimentar, fundamental para a limpeza de material orgânico e, além de tudo, pode até ter uma aparência simpática.

- Existe um confronto urbano entre o homem e a barata - destaca Roberto Eizemberg, que integra a equipe do projeto batizado de "Baratas: procuradas vivas ou mortas". - Não queremos que ninguém crie o inseto em casa. Mas é importante saber como ele é necessário à natureza, e de que formas podemos controlar o seu crescimento populacional nos centros urbanos.

O boom das baratas poderia ser evitado com ajuda de sua maior inimiga: a vespa. Ela põe seu ovo no interior da ooteca da barata - uma estrutura de cálcio onde há dezenas de ovos. A larva da vespa, ao nascer, alimenta-se dos embriões da rival em gestação.

A aliança do homem com a vespa seria bem-vinda. O crescimento das metrópoles tem assanhado as baratas. Já existem 200 delas para cada um de nós em São Paulo, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Biológicas. Afinal, com as cidades, aumenta também a produção de lixo, seu habitat por excelência. E, quando se trata delas, nenhum exemplar é desprezível. Uma barata deixa, em média, 750 filhotes em sua vida, produzidos em apenas um ano.

O milagre da multiplicação é especialmente visível nos meses mais quentes. À noite, a inversão térmica faz a temperatura aumentar nas tubulações e diminuir na superfície. Em busca de um tempo mais fresco, as baratas saem dos esgotos e se exibem nas casas alheias.

O calor ressalta uma adaptação sofrida por aquelas que adotaram a cidade como lar: os hábitos noturnos. As 99% que permaneceram no campo preferem circular durante o dia.
- Aquelas que vieram para a cidade trocaram a hora de circular para não se depararem com o homem - explica Suzete Bressan, consultora técnica do projeto e professora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho. - Nada assusta mais uma barata do que ser surpreendida enquanto passeia pela madrugada.

Por isso, não precisa gritar: se flagrada por aí, a barata foge. Se capturada, ela aciona seus mecanismos de defesa. Entre seus recursos está a mordida (caso do inseto urbano), estridular (a emissão de um som agudo, comum entre as espécies silvestres) e o uso dos espinhos de suas patas, também visto apenas em algumas delas. Nem os inseticidas são muito eficientes, porque, quando usados em excesso, podem contribuir para a proliferação de um grupo mais resistente ao veneno.

O que não se discute é a capacidade de sobrevivência desse inseto. Não à toa há fósseis do animal de 300 milhões de anos - são, portanto, anteriores aos dinossauros. Em toda a sua trajetória, o inseto sofreu pouquíssimas adaptações em sua anatomia. O desenho das asas, por exemplo, é praticamente o mesmo.

O futuro também não reserva ameaças à barata. Nem um ataque nuclear seria capaz de detê-las.
- Por viverem escondidas em galerias, elas ficam mais protegidas dos efeitos de uma explosão nuclear do que o homem - opina Rozemberg. - Outra demonstração de resistência é o fato de que as baratas têm um sistema nervoso descentralizado, o que permite até que seu corpo resista algum tempo após a cabeça ser arrancada.

Quem quiser decepar a barata terá de suar: as pernas do tipo cursoriais, próprias para correr, tornam-na um dos mais rápidos insetos terrestres. O instinto de defesa abrange até a criação dos filhotes - os ovos, como foi mencionado, ficam dentro de uma cápsula de cálcio, que, embora seja penetrada pela vespa, é suficiente para protegê-la de uma série de outras espécies.

Desprezada pelo homem, a barata apetece ao paladar de aranhas, lacraias, sapos, escorpiões e pássaros. Tem, portanto, um papel inegável na cadeia alimentar.
Mais amplo é o cardápio das próprias baratas. A impressão é de que qualquer objeto pode lhes servir de alimento. As espécies silvestres preferem raízes de plantas e fungos; as urbanas, plástico, isopor, madeira, materiais de fossas. Eventualmente podem apelar para o canibalismo, quando a dieta tradicional é escassa ou sua colônia é invadida. A contaminação de alimentos com uma secreção, aliás, é uma das formas de a espécie marcar território.

A demarcação de seu espaço, a dieta e os locais por onde transita mostram por que a barata não é um modelo de higiene. Seu habitat conta com inúmeros micro-organismos patogênicos, transmissores de doenças que vão da gastroenterite ao herpes. Ainda assim, menos de 40 das 4 mil espécies conhecidas podem ser consideradas pragas urbanas.

Para quem quer estudar essa variedade, o Brasil é um palco privilegiado. Mil espécies são vistas por aqui - entre elas a Blaberus giganteus, nativa da Amazônia, que atinge 10 centímetros de comprimento. Mais comum é se deparar com a Blattella germanica, protagonista de uma disputa diplomática. Os franceses dizem que a espécie é alemã; estes, por sua vez, asseguram que o inseto foi descoberto na França. Por aqui, ela é conhecida tanto como francesinha como por baratinha-alemã.

Curiosidades como esta serão abordadas nos novos vídeos do projeto, que conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio (Faperjgalpão na Praça Saens Peña, na Tijuca.
- Procuramos desmistificá-la, mostrá-la como um inseto que faz parte da cadeia ecológica, que tem papel inestimável por decompor matéria orgânica - ressalta Eizemberg. - É possível mudar a percepção das pessoas.

E se alguém encontrá-la em casa?
- Aí é melhor pegar o chinelo.
Publicada em 23/11/2010 às 08h28m

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