quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

BC forçou bancos a salvar PanAmericano

DE SÃO PAULO



O PanAmericano só recebeu o socorro extra de R$ 1,3 bilhão depois que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, veio em viagem de emergência da Suíça para São Paulo e pediu aos principais banqueiros do país "uma solução de mercado" para o rombo, informa a reportagem de Mario Cesar Carvalho e Leonardo Souza publicada na edição desta sexta-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Os banqueiros, representados pelo Fundo Garantidor de Créditos, não queriam dar mais dinheiro a Silvio Santos porque sentiram-se enganados por ele -já haviam emprestado R$ 2,5 bilhões em novembro e receberam como garantia bens e empresas que não atingiam esse valor.

Uma das sugestões do fundo era que o PanAmericano fosse submetido a um regime de administração especial, pelo qual seria possível tomar algum patrimônio de Silvio e processá-lo pela quebra do banco. Sem esse tipo de intervenção, é remota a possibilidade de incluir o apresentador no processo porque ele não tem cargo no banco.

A reunião de emergência na qual se selou o destino do PanAmericano aconteceu no último dia 30, um domingo, no prédio do Banco Central em São Paulo, na avenida Paulista. Lá estavam Lázaro Brandão e Luiz Carlos Trabuco (respectivamente, presidente do conselho e presidente do Bradesco), Fábio Barbosa (presidente do Santander), Gabriel Jorge Ferreira (presidente do fundo) e Antonio Carlos Bueno (diretor da entidade).

Tombini argumentou que a intervenção do BC poderia causar danos muito maiores ao sistema bancário do que o prejuízo de mais de R$ 3 bilhões que o fundo assumiria. Uma ação da autoridade monetária levantaria suspeitas sobre a saúde financeira de outros bancos, o que poderia gerar uma onda de saques.
Editoria de Arte / Folhapress/Editoria de Arte / Folhapress
Leia a reportagem completa na Folha desta sexta-feira (11/02).

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Caixa confirma injeção de até R$ 10 bi no PanAmericano

TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO




A Caixa Econômica Federal se comprometeu a colocar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões para garantir o funcionamento do Banco PanAmericano.

Segundo a presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho, esse aporte de recursos virá, principalmente, na forma de compra de carteiras de crédito do antigo banco do grupo Silvio Santos.

O objetivo é garantir a captação de recursos com um custo baixo para viabilizar as operações de crédito do PanAmericano, que teve um rombo de R$ 3,8 bilhões.
Não há um prazo definido para o dinheiro chegar; será diluído em médio e longo prazos, segundo a presidente da Caixa.

"A Caixa tem o compromisso de dar o suporte necessário para que o PanAmericano execute muito bem suas atividades. A expectativa é muito positiva em relação ao parceiro [BTG Pactual] e ao estudo que fizemos para ampliar nossa capacidade de atendimento e de negócios nessa parceria", disse ela.

A presidente da Caixa disse ainda que procurou o TCU (Tribunal de Contas da União) para oferecer ajuda técnica na investigação sobre a compra do PanAmericano.

A Caixa pretende ainda processar as firmas de auditoria que não encontraram o rombo de R$ 3,8 bilhões nas contas do banco.

De acordo com o vice-presidente de Finanças do banco, Marcio Percival, são alvo do processo administrativo, que pode evoluir para uma ação judicial, a firma de auditoria KPMG e o Banco Fator.

Segundo Percival, a Delloite - que fazia auditoria do balanço do Panamericano - não é alvo de processo administrativo pela Caixa.
com Reuters

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PanAmericano divulga balanço confirmando rombo de R$ 4,3 bi

DE SÃO PAULO

Em balanço patrimonial do ano de 2010 divulgado na madrugada desta quarta-feira, a atual administração do banco Panamericano confirmou que o rombo total nas contas da entidade chega à cifra de R$ 4,3 bilhões.

Inicialmente apuradas na ordem de R$ 2,5 bilhões, as perdas do banco foram revistas pela nova administração - com o auxílio de consultores externos-- que identificou irregularidades adicionais nas contas no valor de R$ 1,8 bilhão.

Segundo o balanço, o rombo total anunciado é a soma de: R$ 1,6 bilhão referente a carteira de crédito insubsistente; R$ 1,7 bilhão referente a passivos não registrados de operações de cessão liquidados/referenciados; R$ 500 milhões referentes a irregularidades na constituição de provisões para perdas de crédito; R$ 300 milhões referentes a ajustes de marcação a mercado; R$ 200 milhões referentes a outros ajustes.


NEGÓCIO

O BTG Pactual e o Grupo Silvio Santos acertaram no último dia 31 de janeiro a venda do banco por R$ 450 milhões. O acordo também incluiu um empréstimo adicional pelo Fundo Garantidor de Créditos, entidade dirigida pelos bancos, de R$ 1,3 bilhão ao PanAmericano.

Em novembro do ano passado, o fundo já havia emprestado R$ 2,5 bilhões. Os outros R$ 500 milhões foram tirados do próprio banco PanAmericano, de uma forma que o fundo ainda não explicou.

Em dezembro de 2009, a Caixa Econômica Federal havia adquirido 36,56% do capital total do banco por R$ 739,27 milhões. O restante das ações segue na Bolsa, com acionistas minoritários.

Reportagem da Folha publicada no último dia 3 aponta que a Caixa e o BTG Pactual ainda devem comprar R$ 14 bilhões em títulos e carteiras de crédito do banco para que ele possa funcionar em condições competitivas. A Caixa se comprometeu sozinha a colocar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões no PanAmericano.

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