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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Esportes Digitais: a tecnologia diminuindo os erros de arbitragem

Sensores de toque na esgrima e no taekwondo, além de câmeras que fazem o "tira-teima" no tênis são algumas das novidades
Por: Marisa Silva do Olhar Digital
A esgrima é um esporte pouco conhecido entre nós brasileiros. Ela nos faz lembrar dos duelos de capa e espada da idade média. E, de fato, esse esporte tem suas origens fincadas lá atrás. Mas, hoje, a esgrima é uma das modalidades que mais usa e abusa da era digital. A primeira evolução na competição com espadas foi a criação de coletes metálicos, que, ao primeiro contato da arma – que está ligada à energia elétrica – acende uma luz indicando o toque. A solução parece simples, mas fez enorme diferença.



Fernando Scavasin, atleta da esgrima da Seleção Brasileira explica que, antes da tecnologia, o toque era feito na base do grito. "Quem fazia mais barulho na hora de tocar ou quem gritava mais alto, ou seja, quem impunha mais pressão sobre o árbitro levava o toque. Quando os aparelhos elétricos chegaram, houve uma evolução muito grande no esporte. A brutalidade se transformou em algo mais técnico, com uma beleza maior", explica. Além do aviso visual e sonoro dos coletes, os juízes da esgrima contam ainda com a vídeo-arbitragem. A ferramenta é indispensável devido à velocidade de ataque dos atletas. Com uma câmera comum e um software específico para o esporte, os últimos movimentos antes do toque são gravados e repetidos diversas vezes em câmera lenta. A solução é uma espécie de "tira-teima" e só é usada quando o competidor discorda de uma decisão do juiz. E, claro, existe um limite para isso.
Segundo Fernando, a tecnologia já trouxe grandes benefícios para o Brasil. Ele cita como exemplo o atleta João Souza, que foi para a última olimpíada usando o 'florete'. "João usou a vídeo-arbitragem em três toques, fazendo com que os árbitros voltassem átras nas decisão. O combate pré-olímpico teve pontuação de 15 contra 13 para o brasileiro. Ou seja, os três toques teriam feito com que ele perdesse a vaga olímpica. A videoarbitragem é um grande benefício para o esporte", diz.Se você pensa que as artes marciais se limitam às tradições milenares, preste atenção. Parecido com a esgrima, o taekwondo também tem um colete especial sensível ao toque. Por baixo do acolchoado para minimizar o impacto estão centenas de sensores. A inovação veio da Coréia do Sul, e é obrigatória nos principais eventos do esporte. Até a meia possui um chip que identifica o contato. A marcação é identificada no próprio colete e também é transmitida instantaneamente para os computadores dos juízes.
No tênis, o "tira-teima" é ainda mais moderno; é o famoso Olho do Falcão! O sistema foi criado na Inglaterra. São 12 câmeras estrategicamente instaladas ao redor da quadra: elas mapeiam todos os movimentos da bolinha que, muitas vezes, viaja acima dos 200 quilômetros por hora! As imagens da bolinha captada na quadra são repassadas para um computador central onde um software reproduz o trajeto da bola em três dimensões com precisão milimétrica. O sistema só é acionado quando o atleta se sente prejudicado por uma marcação e pede o replay eletrônico. Como custa muito caro, o Olho do Falcão só está presente nos principais torneios do mundo.
Outros esportes como a corrida de cavalos, automobilismo e natação também usam câmeras de alta sensibilidade e sensores para julgar resultados.
Fernando diz ser a favor de tudo que deixe o esporte mais justo e saudável e completa: "O futebol ainda está parado".
Pois é, o conservadorismo da Federação Internacional de Futebol – a FIFA – ainda impede a utilização de sistemas similares ao do tênis nos campos. É exatamente por isso que casos como este ainda ocorrem: na Copa de 2010, na partida entre Inglaterra e Alemanha, quando o placar ainda era 2 a 1 para os alemães, o árbitro uruguaio não validou um gol legítimo dos ingleses. Muita gente diz que faz parte da mística do esporte... mas, cá entre nós, cheira mesmo a atraso. Porém, mesmo no futebol há esperança. Há quem acredite que o Mundial de 2014, que vai ser disputado aqui no Brasil, seja o primeiro a usar a tecnologia para evitar erros grotescos como este na África do Sul. Hoje, o máximo que é usado nas partidas é um discreto sistema rádio-comunicador que permite a troca de informações entre a equipe de arbitragem.
Na semana que vem, na série "Esporte Digital", você vai conhecer os avanços tecnológicos na medicina esportiva. Por que será que hoje os atletas se recuperam tão mais rápido do que antigamente? Antes da semana que vem, aproveite. Nós separamos um joguinho bem legal para você mesmo brincar com o Olho do Falcão do tênis. Aproveite e opine na nossa enquete: você acha que o futebol está mesmo atrasado?!

Esportes Digitais: Suor e tecnologia se encontram para ajudar os atletas

Treinamentos utilizam o que há de mais moderno para fazerem com que os atletas consigam chegar ao topo das modalidades mais concorridas

Por: Marisa Silva do Olhar Digital

Nosso mergulho nesse mundo que une suor e tecnologia começa no laboratório de fisiologia do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, em São Paulo. Karina e Graziela são atletas de luta olímpica e estão em um dia de testes. Primeiro, elas passaram por uma avaliação cardiorrespiratória. Simples, porém indispensável. Aliada à esteira, para simular o esforço físico, este equipamento monitora o consumo de oxigênio e a produção de gás carbônico durante o exercício. Dentro do computador, um software desenvolvido na Alemanha é o responsável por comparar o resultado aos chamados "níveis ideais", aqueles em que o treinador acredita que o atleta pode chegar para render mais.

Thiago Ribeiro Lopes, fisiologista do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa explica: "É um teste em que conseguimos quantificar como o músculo está conseguindo suprir a energia que ele está precisando para a contração muscular. E, como uma das vias energéticas que o músculo tem para suprir essa produção de energia para a contração muscular é a via aeróbia, que depende do oxigênio, nós usamos aquele equipamento para medir como o sistema cardiorespiratório e o sistema muscular estão trabalhando em conjunto para conseguirem manter a contração muscular em um nível adequado".
Enquanto a Graziela suava a camisa, Karina passou por um teste bem menos exigente: a "absorciometria de feixe duplo" – ou simplesmente duplo raio-X. Neste equipamento, o atleta tem sua composição corpórea analisada nos mínimos detalhes, membro a membro. Em questão de minutos, ele fica sabendo como está a densidade dos seus ossos, a porcentagem de gordura e a quantidade de massa magra do seu corpo. A avaliação é de extrema importância para acompanhar a evolução e saber exatamente até onde é possível chegar.
Conhecida como DEXA, essa tecnologia usa uma baixa dose de radiação - inclusive inferior à de uma radiografia convencional. O equipamento trabalha com dois feixes de raios-X com diferentes níveis de energia. Eliminando a absorção dos tecidos e músculos, o aparelho é capaz de identificar a densidade mineral dos ossos a partir da penetração de cada feixe na estrutura óssea do esportista.
Por último, a Graziela fez testes em uma plataforma de contato. Repleto de sensores, o equipamento mede a força aplicada na hora do salto, a velocidade de saída da plataforma e também o tempo em que ela fica no ar, isto é, sem encostar os pés no aparelho. Além dos sensores de toque, os pés da plataforma também são monitorados para identificar a pressão feita sobre eles, como uma espécie de suspensão automotiva. Através desta avaliação é possível ter, com precisão e em tempo real, a força e potência exata dos membros inferiores do indivíduo. Mais uma vez, tudo para otimizar o treinamento e a performance do atleta. Essas avaliações e muitas outras são aplicadas em atletas das mais diversas modalidades. A ideia é poder criar programas de treinamento mais individuais. Thiago ainda explica que "a diferença entre o 'ouro e a prata' é muito pequena. Então, quanto mais preciso formos dentro desse contexto de preparação, mais fácil de termos o resultado final o melhor possível".
Mais do que toda essa análise laboratorial, alguns esportes utilizam um outro artifício para aprimorar a performance do competidor: a biomecânica! Na natação do Clube Pinheiros, essa análise é feita com câmeras submersas. Com isso, o treinador pode avaliar em detalhes o movimento perfeito de uma braçada ou de um salto, por exemplo."É um trabalho imprescindível. Os melhores atletas do mundo utilizam a análise biomecânica e a parte da cinemática para auxiliá-los em seus treinamentos, melhorando suas performances", explica Manoel Moreas, o "Maneco", que é biomecânico do clube Pinheiros.
A tecnologia aplicada na formação de atletas evolui muito rapidamente. É um caminho sem volta e os que querem disputar os topos das modalidades mais concorridas necessitam dela durante seus treinamentos. Não perca! Na próxima reportagem da série "Esporte Digital" você vai conhecer os equipamentos e soluções que auxiliam os árbitros nas decisões mais difíceis e polêmicas.... Várias dessas novidades podem fazer diferença nos resultados do Pan-americano que vem aí.

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Esportes Digitais: a tecnologia auxiliando no tratamento de lesões

Aparelhos que ajudam os atletas a se recuperar mais rapidamente, além de dar diagnósticos mais precisos


Por: Marisa Silva do Olhar Digital


Nos esportes de alta performance, o corpo faz o papel de verdadeiras super-máquinas de competição! A exigência é extrema; ao mesmo tempo, o desgaste. Assim, atletas vivem uma relação difícil, porém inevitável, com lesões e contusões. O Doutor Arnaldo Hernandes, especialista em medicina esportiva, explica que a maior preocupação dos atletas é saber quando voltarão a jogar. "Temos que tentar otimizar, sem esquecer de trabalhar com segurança", diz.

Hoje, em praticamente todos os esportes de alto rendimento, as lesões nos ligamentos do joelho estão entre as grandes vilãs. Acontecem toda hora e são um desafio enorme para a medicina esportiva. Os tratamentos e cirurgias de joelho sofreram grande evolução quando os ortopedistas passaram a conhecer melhor o funcionamento e anatomia dessa articulação.E no início do século, mais precisamente em 1918, no Japão, foi feita a primeira artroscopia e deu-se início a uma verdadeira revolução nas cirurgias de joelho – que só foi possível graças à tecnologia.
O ortopedista do Hcor, Doutor Rene Jorge Abdalla, explica que para muitos procedimentos não há mais a necessidade de operar o joelho. "Nós fazemos [a cirurgia] utilizando o vídeo. Isso diminui a morbidade. Ou seja, a agressão a articulação e, obviamente, a recuperação fica mais rápida. A astroscopia tem sido a grande evolução no tratamento das lesões esportivas no joelho", explica.
Apesar de a artroscopia ser algo relativamente antigo, a técnica é aprimorada a cada ano com o uso de equipamentos cada vez mais sofisticados e dezenas de avaliações computadorizadas. Segundo Abdalla, uma lista de testes feitos por computador é dada ao atleta que, por exemplo, precise voltar para seu clube. Esses testes aprovam e checam aquimos que o médico afirma e permite que o atleta volte com segurança ao esporte.Mas a medicina esportiva não se resume só a cirurgia de joelho. Outros equipamentos modernos auxiliam no diagnóstico e, principalmente, no tratamento de contusões. As salas de reabilitação e fisioterapia estão repletas deles. Um exemplo simples é a terapia a laser.
Os diagnósticos por imagem como a ressonância magnética e equipamentos de raio-x de alta definição, também contribuem muito para um diagnóstico mais preciso das lesões ortopédicas. "Até pouco tempo atrás se utilizava o raio-x convencional. Começaram a usar o raio-x digitalizado e, hoje, usa-se o raio-X digital. A imagem fica muito mais nítida e acurada. Nós estamos conseguindo fechar em cima de diagnósticos que até a pouco tempo não se conseguia", comenta Thomas Wolff, veterinário da seleção brasileira de hipismo.
Mas, o que chama atenção mesmo é este equipamento: o termovisor. Avaliado em algo em torno de US$16 mil (cerca de r$30 mil), o aparelho lê, com muita precisão, a temperatura das diferentes partes do corpo. A técnica é muito utilizada em cavalos de competição, mas também já é aplicada em seres humanos. E dá resultado.
Toda essa evolução acompanha o desempenho dos atletas dos mais altos níveis não só no Brasil, mas em todo o mundo. As inovações na medicina contribuem para que as competições sejam cada vez mais acirradas. Mas claro, nada substitui a experiência e sensibilidade dos médicos especialistas. Esta reportagem encerra a séria Esporte Digital e sem você perdeu as outras edições, acesse os links que acompanham essa matéria e confira toda a tecnologia envolvida no esporte moderno.


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