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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Como funciona um antivírus

Piratas maliciosos não param de dar vida a mais e mais pragas. Como os antivírus conseguem acompanhá-los e manter os computadores a salvo?


Por Eduardo Vieira Karas

Enquanto você esta aí, acessando tranquilamente o Blog David-Invictus, há uma briga subterrânea acontecendo sem parar nos confins da rede. De um lado, estão os espertinhos e mal-intencionados criando vírus cada vez mais devastadores.  Do outro, estão as empresas correndo atrás do prejuízo e buscando aprimorar seus softwares e sistemas de segurança.
Nesse eterno conflito entre vírus e antivírus, é praticamente impossível ficar imune às pragas que rondam o mundo cibernético. Ao menos que você isole totalmente o seu computador — isto é, não use a internet e não trabalhe com dispositivos externos (CDs, DVDs, pendrives etc.) —, não há como fugir das possíveis ameaças.
Dessa forma, a solução imediata é possuir um antivírus atualizado e de confiança. No entanto, se você sempre se perguntou o que um programa desses tem que o torna capaz de combater e eliminar arquivos maliciosos, chegou a hora de saber um pouquinho mais sobre o assunto.

Guaritas e cães de guarda

Você já reparou como os programas de antivírus sempre estão relacionados a escudos, muralhas, cadeados e outros elementos de vigilância? Isso não é à toa: você pode pensar nesses softwares como verdadeiros esquemas de segurança armados para proteger os seus aparelhos.
Imagine que em sites, emails, arquivos baixados e dispositivos externos conectados à máquina existem intrusos querendo agir maliciosamente no seu sistema (para mais detalhes sobre os vários tipos de ameaças e ataques, consulte o nosso "glossário do mal").
Assim como em uma casa sem muros, um PC sem antivírus instalado permite a entrada de visitantes imprevistos e não os detecta posteriormente — você só percebe os problemas quando tudo fica mais lento, alguns programas travam e o sistema já não responde tão bem.
Um antivírus vigia, literalmente, as portas e portões do seu computador. É como se você pusesse guaritas monitoradas em cada uma delas. Desse jeito, tudo que entra precisa apresentar algo que podemos comparar a um passaporte ou certificado digital.

Como um antivírus reconhece e elimina ameaças?

Se você já teve ou tem um antivírus, certamente topa (e até com certa frequência) com avisos de que o banco de dados de vírus foi atualizado. E o que isso significa? Simples. Se os arquivos que entram na máquina precisam apresentar um “passaporte”, há uma lista de “passaportes” que não são permitidos e, portanto, são vetados pelos “guardas”.
Como explicado no começo deste artigo, as empresas que fabricam os programas de antivírus estão sempre na “cola” dos hackers que originam e disseminam novas pestes pela web, por isso existem atualizações diárias que mantêm a segurança.

Assim sendo, tanto na proteção ativa quanto nos rastreamentos completos no computador, as engrenagens dos antivírus comparam o formato e comportamento dos arquivos que entram com um banco de dados capaz de denunciar elementos perigosos. Resultado: se um componente é detectado, o antivírus o elimina para desinfetar o PC.

Um pouco mais a fundo

Apesar do método de reconhecimento citado acima ser o mais utilizado e efetivo na maioria dos casos, existem outras formas de um antívirus encontrar e neutralizar irregularidades no sistema. O processo chamado de análise heurística monitora constantemente as atividades do computador e entra em ação quando algum programa tenta modificar configurações do sistema ou arquivos importantes.
Pelo fato de vírus inéditos surgirem todos os dias, a biblioteca pode deixar alguma ameaça passar batida pela segurança inicial. Com a análise heurística, esse invasor pode ser descoberto enquanto age silenciosamente.
Outra lógica usada para acabar com viroses leva o nome de sandbox (caixa de areia). Nesse caso, um antivírus simula um ambiente (como se fosse uma máquina virtual, emulando acesso ao registro e componentes) para avaliar o comportamento de alguns arquivos e executáveis. Se a reposta for positiva, um alerta é disparado.

Arquivos em quarentena = cartão amarelo?

Por mais estranho que possa parecer, alguns arquivos podem ser enviados para uma espécie de “prisão”. A chamada quarentena (ou mover para quarentena) é uma opção que vários antivírus oferecem, em determinados casos, aos usuários.
Programas e aplicativos que têm conduta suspeita, mas, ainda assim, não são identificados pelo antivírus, podem ser movidos para a quarentena como uma forma de penalizá-los. Lá eles ficam sob monitoramento até que a base de dados seja atualizada e detecte o arquivo como um vírus.
No entanto, há casos de suspeitas levantadas que podem comprometer o registro do sistema ou até o funcionamento de aplicações e jogos. Os chamados "falsos positivos" ocorrem quando o código de um arquivo não comprometedor é identificado, erroneamente, com a mesma sequência de um vírus.
Quando o antivírus pede permissão para mover algo para quarentena, sugerimos, a fim de evitar maiores problemas, uma busca mais aprofundada sobre o nome em questão. Consulte nosso artigo sobre quarentena e não deixe de conferir as diferenças entre vírus, trojans e spywares para saber mais sobre o assunto.

Corrida de gato e rato

Enquanto houver brechas no funcionamento de eletrônicos, haverá gente disposta a burlar esquemas e agir de forma mal-intencionada. Portanto, quem deve estar atento para não sair perdendo nessa história é o próprio usuário.

Antes mesmo de escolher um antivírus, avalie seus hábitos de navegação e uso do micro. Arquivos de suma importância devem ser sempre copiados em backups, enquanto ações duvidosas devem ser evitadas (como abrir emails de desconhecidos ou clicar em banners que prometem absurdos).
Temos um guia completíssimo com algumas dicas que ajudam a proteger seu computador e também suas contas de email e em redes sociais. Vale lembrar que ataques de hacker podem ir muito além de travamentos, e alguns piratas podem efetivamente roubar senhas e até mesmo efetuar transações bancárias sem consentimento do dono.
Por fim, a dica que fica é: evite comportamento de risco e mantenha sempre um antivírus atualizado.  Não importa qual — teste alguns e tire suas próprias conclusões, pois nem sempre uma opção com centenas de configurações pode ser a melhor para a sua situação. Caso contrário, reze ou acenda velas (muitas!) para não ter dores de cabeça tão cedo com a sua máquina.
 
#Alterado, em parte, do original.
Este material está disponível em: www.TecMundo.com.br

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Como os hackers do mal podem ficar ricos às suas custas

Pouca gente sabe o que realmente acontece no submundo das invasões. Confira tudo sobre as formas que hackers utilizam para ganhar dinheiro.

Por Renan Hamann

Nota: neste artigo, crackers (Black hats, ou hackers do mal) serão tratados apenas como hackers.
A onda de invasões nos mais diversos sites da internet assustou muitos usuários. Desde que os serviços online da Sony foram invadidos, muitos começaram a se perguntar se a rede mundial era realmente segura para que os cartões de crédito e outros dados financeiros pudessem estar armazenados nela.
Todo mundo sabe como é fácil perder dinheiro por causa dessas invasões, mas você já parou para pensar em como é complexo o processo que os hackers utilizam para roubar os usuários? Acompanhe este artigo que conta um pouco mais sobre esse sistema obscuro pelo que usuários mal-intencionados enriquecem de maneira ilícita.

Primeiros passos: roubos de dados

Essa parte é a mais conhecida pelos usuários. Hackers buscam usuários sem proteção ou que caiam nas armadilhas de phishing para que possam rodar softwares de verificação de dados no computador invadido. Dessa forma, possíveis senhas e números de cartões de crédito podem ser identificados e copiados.
(Fonte da imagem: Wikipédia)

Há também outras formas de realizar esse tipo de roubo. Antivírus falsos podem ser acionados pelo próprio usuário, que dessa forma permite a varredura do computador e não sabe que, na verdade, está permitindo que seus dados sejam roubados. Nesse ponto, as ações que envolvem o roubo seguem a mesma linha do primeiro exemplo.
Uma terceira forma de os hackers roubarem dados é bem mais complexa. Trata-se da invasão de servidores (como aconteceu com a PSN alguns meses atrás), tipo de ação em que alguns usuários localizam brechas na segurança dos serviços online para obter acesso a diversas informações confidenciais, como contas e senhas bancárias.
Esse último tipo de ataque é muito mais complexo, mas quando bem-sucedido consegue roubar um volume muito maior de informações. Geralmente são feitos por hackers mais experientes, que conseguem burlar sistemas inteiros para chegar ao objetivo final: dinheiro fácil.

Os testes de verificação

Com números de cartões de crédito, códigos de verificação e senhas em mãos, chega a hora dos hackers testarem a eficiência de seus trabalhos. Para isso são realizadas pequenas transações em lojas online ou mesmo em bancos. Nesse momento, os hackers conseguem saber exatamente se seus roubos foram um sucesso.
(Fonte da imagem: Symantec)
Já com tudo verificado, os hackers precisam transformar esses dados roubados em dinheiro de verdade. Para isso, vários desses invasores (que também são chamados de “carders”) encontram-se em mercados negros de informações, onde vendem e trocam dados de usuários com outros hackers.
Nesse tipo de negociação, cartões e senhas já verificados rendem muito mais dinheiro para os hackers, pois isso elimina uma das fases mais complexas do processo, que é a verificação (há mais riscos de rastreio nesse momento). E essa é apenas uma das maneiras de eles ganharem com as invasões.

Impressão de cartões

Depois de conseguir verificar os dados e trocar informações com outros hackers, os bandidos conseguem realizar impressões profissionais dos cartões de crédito. Com impressoras específicas, eles conseguem até mesmo anexar tarjas magnéticas aos cartões clonados, garantindo que eles possam ser utilizados em lojas reais.
Nessa etapa do processo, existem dois tipos de cartão. Os que serão utilizados apenas em compras virtuais (chamados de Track1) e os que podem ser utilizados também em compras em lojas físicas (chamados de Track2), pois confirmam até mesmo os códigos de verificação (que ficam na parte traseira dos cartões comuns).

Contratação de “laranjas”

Os norte-americanos costumam chamar os contratados pelos hackers de “mulas de carga”. Eles são nada mais do que os “laranjas”, ou seja, pessoas que ganham dinheiro para assumir os riscos (e a culpa, caso sejam pegas) das transações com cartões de crédito roubados. Nos Estados Unidos, a maior parte dos aliciados pelos hackers são estudantes de intercâmbio.

Lavando o dinheiro

Grandes quantias de dinheiro podem ser muito mais facilmente rastreadas do que pequenas quantias. Por isso, muitos hackers aproveitam seus “laranjas” para fragmentar o dinheiro roubado. Como isso é feito? Após sacar o dinheiro em vários caixas eletrônicos, eles o depositam em contas virtuais (como PayPal ou e-gold).
Com as transferências concluídas, o dinheiro pode chegar facilmente às mãos das organizações de hackers (que frequentemente estão aliados a outros criminosos). Uma pequena parte desse bolo fica para os “laranjas”, que quando são pegos raramente sabem dizer por qual organização foram contratados.

A parte final da lavagem de dinheiro exige paciência e é completamente realizada pelas “mulas de carga”. Com cartões de crédito roubados (ou com as contas virtuais), os criminosos fazem compras em sites como o e-Bay e, com certa frequência, ordenam que a entrega seja realizada em caixas postais abandonadas.
Depois só precisam buscar os produtos e vendê-los novamente na internet. Dessa vez, utilizam suas próprias contas para que possam justificar a origem do dinheiro ganho com as vendas. Assim encerra-se o ciclo dos hackers, que só param de utilizar os cartões quando eles são bloqueados.

Outras formas de monetização

Ao longo da história, várias técnicas foram utilizadas pelos hackers para a obtenção de dinheiro. Algumas delas ficaram muito famosas por causa da maestria com que foram executadas. É o caso do hacker americano Kevin Mitnick, que criou um sistema para desviar apenas 1 centavo por cada transação bancária realizada em determinado banco. Conseguiu 80 milhões de dólares com a prática.

E os hackers do bem?

Os White hats, ou hackers do bem, podem trabalhar para uma série de empresas. Há os que montam suas próprias agências de segurança digital, assim como existem muitos hackers que prestam consultoria sobre o tema. Em suma, há um enorme mercado que pode ser explorado por quem gostaria de utilizar os seus conhecimentos de programação para o bem.
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O que você pensa a respeito dos crackers ou hackers do mal? Você acha que eles podem deixar de utilizar os seus conhecimentos para roubar dinheiro e começar a proteger a internet? Aproveite o seu comentário para dizer o que faria se tivesse conhecimento hacker.

Este material está disponível em: www.TecMundo.com.br